Exercícios sugeridos para o parto
http://www.youtube.com/watch?v=WRe0FWhVcc4
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
sábado, 18 de dezembro de 2010
Teoria da Extero-gestação
Os bebês humanos estão entre os mais indefesos de todos os
mamíferos. Por causa do maior tamanho do cérebro e do fato de
que o tecido nervoso necessita de mais calorias para se manter
que qualquer outro, grande parte do alimento ingerido é gasto
em prover nutrição e calor para as células nervosas. Mais
significante é o fato de que nossos bebês necessitam nascer mais
cedo do que deveriam, com seus cérebros ainda não totalmente
desenvolvidos. Se o bebê humano nascesse já com o sistema
nervoso central amadurecido, sua cabeça não passaria pela
pelve estreita da mãe no momento do parto. Ao contrário de
outros mamíferos, como girafas e cavalos, o recém-nascido
humano é incapaz de andar por um longo período após o
nascimento, porque lhe falta o aparato neurológico maduro
para tanto. O custo primal de ter um cérebro grande é que
nossos filhotes nascem extremamente dependentes e em
necessidade constante de cuidado.
O crescimento do nosso cérebro após o nascimento é mais
rápido do que o de qualquer outro mamífero e segue neste
ritmo por 12 meses.
A seleção natural demanda que pais humanos cuidem de seus
filhos por um longo período e que os filhos dependam dos pais.
Esta necessidade mútua traduz-se em um estado emocional
chamado "apego".
Em algumas culturas, como na tribo! Kung, bebês raramente
choram por longos períodos e não há sequer uma palavra que
signifique "cólica". As mães carregam os bebês junto ao corpo,
com um aparato semelhante a um "sling", mesmo quando saem
para a colheita. A relação mãe-bebê é considerada sacrossanta,
eles permanecem juntos o tempo todo. O bebê tem livre acesso
ao seio materno e vê o mundo do mesmo ponto de observação
que sua mãe.
choram por longos períodos e não há sequer uma palavra que
signifique "cólica". As mães carregam os bebês junto ao corpo,
com um aparato semelhante a um "sling", mesmo quando saem
para a colheita. A relação mãe-bebê é considerada sacrossanta,
eles permanecem juntos o tempo todo. O bebê tem livre acesso
ao seio materno e vê o mundo do mesmo ponto de observação
que sua mãe.
Nossa cultura ocidental não permite um estilo de vida idêntico
ao de tribos primitivas, mas podemos tirar lições valiosas sobre
como ajudar nossos bebês na adaptação à vida extra-uterina.
Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê humano é tão imaturo
que seria benéfico a ele voltar ao útero sempre que a vida aqui
fora estivesse difícil.
É preciso compreender o que o bebê tinha à sua disposição
antes do nascimento, para saber como reproduzir as condições
intrauterinas. O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal,
envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado
para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também
estava ouvindo constantemente um barulho "shhhh shhhh",
mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos
da mãe).
antes do nascimento, para saber como reproduzir as condições
intrauterinas. O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal,
envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado
para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também
estava ouvindo constantemente um barulho "shhhh shhhh",
mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos
da mãe).
A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma
resposta neurológica profunda "o reflexo calmante". Quando
aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um
efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma
crise de choro.
resposta neurológica profunda "o reflexo calmante". Quando
aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um
efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma
crise de choro.
Os 5 métodos para acalmar um bebê até 3 meses de idade são
extremamente eficazes SOMENTE quando executados
corretamente. Sem a técnica correta e o vigor necessário, não
adiantam em nada.
extremamente eficazes SOMENTE quando executados
corretamente. Sem a técnica correta e o vigor necessário, não
adiantam em nada.
1. Pacotinho ou casulo (embrulhar o bb apertadinho
A pele é o maior órgão do corpo humano e o toque é o mais
calmante dos cinco sentidos. Embrulhadinho, o bebê recebe um
carinho suave. Bebês alimentados, mas nunca tocados,
freqüentemente adoecem e morrem. Estar embrulhadinho não é
tão bom quanto estar no colo da mãe, mas é um ótimo
substituto para quando a mãe não está por perto.
Bebês podem ser embrulhados assim que nascem.
Apertadinhos, de forma que não mexam os braços. Eles se
sentem confortáveis, "de volta ao útero". Bebês mais agitados
precisam mais de ser embrulhados, outros são tão calmos que
não precisam.
Se o bebê tem dificuldade para pegar no sono, pode ser
embrulhado apertadinho, não é seguro colocar um bebê para
dormir com um cueiro solto. Não permita que o cueiro encoste
no rosto do bebê. Se estiver encostando, o bebê vai virar o rosto
procurando o peito, ao invés de relaxar.
Todos os bebês precisam de tempo para espreguiçar, tomar
banho, ganhar uma massagem. 12-20 horas por dia
embrulhadinho não é muito para um bebê que passava 24 horas
por dia apertadinho no útero. Depois de 1 ou 2 meses, você
pode reduzir o tempo, principalmente com bebês tranqüilos e
calmos.
2. Posição de Lado
Quanto mais nervoso seu bebê estiver, pior ele fica quando
colocado sobre as costas. Antes de nascer, seu bebê nunca ficou
deitado de costas. Ele passava a maior parte do tempo na
posição fetal: cabeça para baixo, coluna encolhida, joelhos
contra a barriga. Até adultos, quando em perigo,
inconscientemente escolhem esta posição.
Segurar o bebê de lado ou com a barriga tocando os braços do
adulto ajuda a acalmá-lo (a cabeça fica na mão do adulto, o
bumbum encostado na dobra do cotovelo do adulto, com braços
e pernas livres, pendurados). Carregar o bebê num sling, com a
coluna curvada, encolhidinho e virado de lado, tem o mesmo
efeito. Atualmente especialistas são unânimes em dizer que
bebês NÃO DEVEM SER POSTOS PARA DORMIR DE
BRUÇOS, pelo risco de morte súbita.
O bebê não sente falta de ficar de cabeça para baixo, como no
útero, porque na verdade o útero é cheio de fluido e o bebê
flutua, como se não tivesse peso algum. Do lado de fora, sem
poder flutuar, virado de cabeça para baixo, a pressão do sangue
na cabeça é desconfortável.
3. Shhhh Shhhh - O som favorito do bebê
O som "shhh shhh" é parte de quem somos, tanto que até
adultos acham o som das ondas do mar relaxante.
Para bebês novinhos, "shhh" é o som do silêncio. Ele estava
acostumado a ouvir tal som 24 horas por dia, tão alto quanto
um aspirador de pó. Imagine o choque de um bebê acostumado
a tal som o tempo todo chegando a um mundo onde as pessoas
cochicham e caminham na ponta dos pés, tentando fazer
silêncio!
Coloque sua boca 10-20 cm de distância dos ouvidos do bebê e
faça "shhh", "shhh". Aumente o volume do "shh" até ficar tão
alto quanto o choro do bebê. Pode parecer rude tentar "calar"
um bebê choroso fazendo "shh", mas para o bebê, é o som do
que lhe é familiar.
Na primeira vez fazendo "shhh", seu bebê deve calar pós uns 2
minutos. Com a prática, você será capaz de acalmar o bebê em
poucos segundos. É ótimo ensinar isso aos irmãos mais velhos,
que adorarão poder ajudar e acalmar o bebê.
Para substituir o "shhh", pode-se ligar:
- secador de cabelos ou aspirador de pó
- som de ventilador ou exaustor
- som de água corrente
- um CD com som de ondas do mar
- um brinquedo que tenha sons de batimentos cardíacos
- rádio fora de estação ou babá eletrônica fora de sintonia
- secadora de roupas ligada com uma bola de tênis dentro
- máquina de lavar louças
O barulho do carro ligado também acalma a criança.
"A vida era tão rica no útero. Rica em sons e barulhos. Mas a
maior parte era movimento. Movimento contínuo. Quando a
mãe senta, levanta, caminha e vira o corpo - movimento,
movimento, movimento."
(Frederick Leboyer, Loving Hands)
maior parte era movimento. Movimento contínuo. Quando a
mãe senta, levanta, caminha e vira o corpo - movimento,
movimento, movimento."
(Frederick Leboyer, Loving Hands)
Quando pensamos nos 5 sentidos - visão, audição, tato, paladar
e olfato - geralmente esquecemos o sexto sentido. Não é
intuição, mas a sensação de movimento no espaço.
e olfato - geralmente esquecemos o sexto sentido. Não é
intuição, mas a sensação de movimento no espaço.
Movimento rítmico ou balanço é uma forma poderosa de
acalmar bebês (e adultos). Isso porque o balanço imita o
movimento que o bebê sentia no útero materno e ativa as
sensações de "movimento" dentro dos ouvidos, que por sua vez
ativam o reflexo de acalmar.
acalmar bebês (e adultos). Isso porque o balanço imita o
movimento que o bebê sentia no útero materno e ativa as
sensações de "movimento" dentro dos ouvidos, que por sua vez
ativam o reflexo de acalmar.
Como balançar ?
1. Carregando o bebê num "sling" ou canguru;
2. Dançando (movimentos de cima para baixo);
3. Colocando o bebê num balanço;
4. Dando tapinhas rítmicos no bumbum ou nas costas;
5. Colocando o bebê na rede;
6. Balançando numa cadeira de balanço;
7. Passeando de carro;
8. Colocando o bebê em cadeirinhas vibratórias (próprias para
isso);
9. Sentando com o bebê numa bola inflável de ginástica e
balançando de cima para baixo com ele no colo;
10. Caminhando bem rapidamente com o bebê no colo.
Quando balançar o bebê, seus movimentos devem rápidos mas
curtos. A cabeça do bebê não fica sacudindo freneticamente. A
cabeça move no máximo 2-5 cm de um lado para o outro. A
cabeça está sempre alinhada com o corpo e não há perigo de o
corpo mover-se numa direção e cabeça abruptamente ir na
direção oposta.
5. Sucção
No útero, o bebê está apertadinho, com as mãos sempre
próximas ao rosto, sugando os dedos com freqüência. Quando
nasce, não mais consegue levar as mãos à boca. A sucção não-
nutritiva é outra forma de acalmar o bebê. A amamentação em
livre demanda não é recomendada somente para garantir a
nutrição do bebê e a produção de leite da mãe, mas também
para suprir a necessidade de sucção não-nutritiva. Alguns
especialistas orientam às mães a darem chupetas para isso, mas
ainda que a chupeta seja oferecida ao bebê, não deve ser
introduzida nas 6 primeiras semanas de vida, quando a
amamentação ainda está sendo estabelecida. Há sempre o risco
de haver confusão de bicos e o bebê sugar o seio
incorretamente.
É importante lembrar que o bebê nunca chora à toa. O choro
nos primeiros meses de vida é a única forma de comunicar que
algo está errado. Ainda que ele esteja limpo e bem alimentado,
muitas vezes chora por necessidade de aconchego e calor
humano. Por isso, falar que bebê novinho (recém nascido até 3
meses ou mais) faz manha (no sentido de chorar para manipular
"negativamente" os pais) não tem sentido. Bebês novinhos
simplesmente não tem maturidade neurológica para tanto.
Bibliografia:
The Happiest Baby on The Block, Dr. Harvey Karp, Bantam
Texto elaborado por Flavia Mandic
The Happiest Baby on The Block, Dr. Harvey Karp, Bantam
Dell, 2002. New York.
Our Babies, Ourselves: How Biology and Culture Shape the
Way We Parent, Meredith F. Small, Anchor Books, 1998. New
York
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
DICAS
10 Passos para o sucesso do Parto Normal
1. Ter um acompanhante de livre escolha (companheiro, familiar, amiga ou doula), para dar apoio e segurança.
2. Visitar o local onde deverá ter o parto e receber orientações sobre procedimentos que poderão ser adotados.
3. Receber assistência individualizada, para evitar intervenções de rotina como soro com ocitocina, restrição de movimentos, episiotomia (corte no períneo) e outros.
4. Ter atendimento qualificado por profissionais de saúde que avaliam o bem estar físico e emocional da gestante e o bem estar do feto.
5. Receber assistência respeitosa, ter privacidade, ser ouvida, e atendida em suas necessidades pessoais.
6. Ter liberdade de caminhar, sentar e adotar as posições que desejar durante o trabalho de parto e no parto.
7. Receber líquidos (água, sucos e chás) durante o trabalho de parto, pois este pode durar muitas horas e a mulher precisa de energia.
8. Experimentar técnicas para aliviar a dor como exercícios com a bola do nascimento, massagens, banho morno ou qualquer outra forma de relaxamento.
9. Poder optar pela anestesia peridural, se as técnicas de relaxamento não forem suficientes para aliviar a dor.
10. Ter contato imediato com o bebê logo após o parto e permanecer com o filho, para ele amamentar e receber o carinho da mãe.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Considerações sobre a Conferência em Brasília - 2010
Brasília - 26 A 30 de Novembro/2010 - Proposta que achei inusitada. Um médico, não sei o nome, pequei por isso. Dentre tantas sugestões para ajudar incentivar a equipe, aos médicos assistirem a PN, propôs que a remuneração para o mesmo fosse maior. 'A atenção obstetrica deverá ser remunerada conforme: 1-período ativo do trabalho de parto; 2-o parto e 3-período do puerpério patológico ate a alta da paciente'. O pessoal, riu e perguntou: - nossa, dai será o caminho inverso. Colocarão essa mulher para parir em 10h, 12h ou ainda 24h, 36h, enfim... todas(os) riram e falaram da preocupação que isso geraria. Pois, no caminho oposto, eles podem protelar, indevidamente o nascimento para receberem mais. Isso uma equipe nao trabalhada. Essa foi uma das mais importantes propostas, ou seja, SENSIBILIZAR as equipes para entenderem, compreenderem a importância de se ouvir as mulheres, de dar a elas voz, de atenderem individualmente e não em série, como fazem. Esse medico tem tal preocupaçao, mas nao pensou de como isso, numa equipe nao trabalhada poderia surtir um efeito devastador. Outra coisa que vi, foi a força de vontade, coragem e determinação das parteiras. Teve uma que me comoveu com seu relato, entre tantos que ouvi. Ela estava acompanhando uma mulher em casa, o parto por alguma razão complicou. Com muita dificuldade, levou essa mulher a um hospital. Lá chegando, o médico que as recebeu, falou curto e grosso: - você começou, agora acaba. Não vou colocar as mãos nela. Deu as costas e foi embora. Nisso, essa parteira, olhou para a mulher e disse: - agora somos nós. Orou, conversou com a mulher, confiou e o bebê nasceu. Belo e sereno, sem sequelas ou complicações. Dai, percebi que o trabalho dessas fantásticas mulheres tem muito a ver com a FÉ que as move. Que so tem a oração como parceiro, como remédio, para uma medicina doente, cheia de limites. E, que diante de uma visao doentia do parto, pelos mecanicistas, ELAS tem a 'arma', que considero a mais forte e poderosa, CONFIAM, ORAM, e pedem que a Divina Providência interceda em seus atendimentos. E, por uma razão que foge a lógica, tem sucessos em seus atendimentos. Bebês são sábios, então resolvem colaborar com sua chegada, ajudando suas mães, e, aquelas que as receberão, as parteiras. São algumas das histórias que irei contando caso queiram continuar trocando o que foi visto, ouvido por lá. Eta, mulheres fortes e guerreiras essas parteiras, que tem como parceira a visao ampla de parto, a experiencia do respeito a fisiologia do parto, com uma visão simples e acolhedora e, esses bebês nascem em mãos abençoadas. Tem como proteçao as FÉ que é o forte delas. Ouvi tantas oraçoes que fazem quando um parto vem a complicar, se entregam, oram e esperam. Meu respeito a elas e aos profissionais que estam buscando mudar seus atendimentos. Isabel - Doula
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Relato do parto Petrina - parto normal, pós Vbac 3
Petrina,
Grande exemplo de superação, crescimento, que vale a pena ouvir seu relato. Luz em seu caminho. Orgulhosa de ter tido a honra de acompanhar de perto tua VITÓRIA.
http://www.youtube.com/watch?v=NHj8ManslH0
Grande exemplo de superação, crescimento, que vale a pena ouvir seu relato. Luz em seu caminho. Orgulhosa de ter tido a honra de acompanhar de perto tua VITÓRIA.
http://www.youtube.com/watch?v=NHj8ManslH0
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Não vá carregada para o parto
O medo, a insegurança, a falta de auto-confiança, a distância em relação ao corpo são pesos que carregamos para o parto e vão condicioná-lo. Preparar-se para o parto é sobretudo aliviar a carga.
A parteira mexicana Naoli Vinaver diz que carregamos muitas malas conosco para o parto. Não é só a mala com as nossas roupas e as do bebé. São as malas com tudo o que temos por resolver na nossa vida, com tudo aquilo que o que nos amarra. São malas bem pesadas, por vezes. E às vezes são imensas.
Durante o trabalho de parto vamos libertando-nos de muitas delas, vamos-nos desamarrando. Por isso se diz que o parto pode ser transformador. Mas se o peso for excessivo, o parto pode arrastar-se, complicar-se ou até não ter início. Por isso, a enfermeira parteira Lúcia Leite diz que «a preparação para o parto faz-se no coração e na cabeça, trabalhando os medos e a auto-confiança.»
Por isso, o obstetra Ricardo Jones escreve: «Tanto quanto no sexo, existe muito mais no nascimento humano do que o que se pode encontrar no corpo e suas medidas.» Apesar de a obstetrícia ainda não incorporar na sua prática esta evidência científica, a verdade é que se descobriu «uma nova dimensão no nascimento, qual seja, a indissociabilidade das emoções e sentimentos ao lado dos eventos mecânicos já conhecidos. Ficou evidente que muitas mulheres falhavam em ter seus filhos de uma forma mais natural porque algo além do corpo as impedia.»
O medo faz com que as mulheres estejam contraídas e não deixa libertar as hormonas que estimulam as contrações e a dilatação. Isto é assim porque somos mamíferos e a natureza, que sabe o que faz, encontrou esta forma de proteger as nossas crias: elas não nasceriam em ambiente ameaçador, mas apenas quando a mãe estivesse tranquila e segura.
Tendo em conta estas evidências, vale a pena preparar-se e aliviar alguma da sua carga. Faça-o por si e pelo seu bebé. Um parto com menos intervenção é um parto mais saudável, com menos riscos, que leva a um pós-parto infinitamente mais fácil. O poder de dar à luz o seu bebé está em si. Só tem de descobri-lo. Deixamos-lhe algumas dicas:
A parteira mexicana Naoli Vinaver diz que carregamos muitas malas conosco para o parto. Não é só a mala com as nossas roupas e as do bebé. São as malas com tudo o que temos por resolver na nossa vida, com tudo aquilo que o que nos amarra. São malas bem pesadas, por vezes. E às vezes são imensas.
Durante o trabalho de parto vamos libertando-nos de muitas delas, vamos-nos desamarrando. Por isso se diz que o parto pode ser transformador. Mas se o peso for excessivo, o parto pode arrastar-se, complicar-se ou até não ter início. Por isso, a enfermeira parteira Lúcia Leite diz que «a preparação para o parto faz-se no coração e na cabeça, trabalhando os medos e a auto-confiança.»
Por isso, o obstetra Ricardo Jones escreve: «Tanto quanto no sexo, existe muito mais no nascimento humano do que o que se pode encontrar no corpo e suas medidas.» Apesar de a obstetrícia ainda não incorporar na sua prática esta evidência científica, a verdade é que se descobriu «uma nova dimensão no nascimento, qual seja, a indissociabilidade das emoções e sentimentos ao lado dos eventos mecânicos já conhecidos. Ficou evidente que muitas mulheres falhavam em ter seus filhos de uma forma mais natural porque algo além do corpo as impedia.»
O medo faz com que as mulheres estejam contraídas e não deixa libertar as hormonas que estimulam as contrações e a dilatação. Isto é assim porque somos mamíferos e a natureza, que sabe o que faz, encontrou esta forma de proteger as nossas crias: elas não nasceriam em ambiente ameaçador, mas apenas quando a mãe estivesse tranquila e segura.
Tendo em conta estas evidências, vale a pena preparar-se e aliviar alguma da sua carga. Faça-o por si e pelo seu bebé. Um parto com menos intervenção é um parto mais saudável, com menos riscos, que leva a um pós-parto infinitamente mais fácil. O poder de dar à luz o seu bebé está em si. Só tem de descobri-lo. Deixamos-lhe algumas dicas:
- Converse com alguém da sua confiança, fale dos seus medos, mesmo daqueles que parecem mais inconfessáveis, mais patetas, mais simples ou mais complicados.
- Se não tem ninguém com quem falar do mais íntimo do íntimo, dos medos mais inconfessáveis, se lhe custa verbalizar, ouvir-se dizer coisas que ainda nem percebeu muito bem... escreva. Um diário de gravidez é bom, mas é para deixar para a história. Escreva num caderno que seja só seu, onde não sinta os olhares de quem vai ler. Registe sentimentos, medos, inseguranças e estará a libertar-se de um grande peso. Escrever é uma excelente maneira de deitar cá para fora porque ninguém nos está a ouvir, mas também de organizar as ideias, trabalhar os medos, estruturar as prioridades.
- Participe em listas de discussão sobre parto humanizado.
- Procure uma doula que a poderá acompanhará na gravidez, no parto e no pós-parto dando-lhe apoio emocional, ajudando-a a desfazer muitos dos seus medos.
- Faça uma lista daquilo que quer fazer ou resolver antes de do parto. Não se limite às compras e à preparação do quarto do bebé.
- Pratique ioga ou pilates. Ajuda não só fisicamente, mas também mentalmente promovendo bem-estar e a união com o bebé.
- Aprenda técnicas de relaxamento ou meditação. Para quem tem altos níveis de ansiedade, estas técnicas são uma excelente forma de encontrar mais tranquilidade e confiança no próprio corpo. Um relaxamento profundo produz ondas cerebrais alfa, diminui a tensão arterial, reduz a tensão muscular, logo reduz também o stress e a ansiedade.
- Visualização positiva: visualizar o bebé estimula a ligação com ele e acalma os medos.
- Abrande o ritmo perto do final da gestação. Se puder, suspenda o trabalho. Dedique-se a fazer o ninho e relaxar. Passeios à beira-mar e ouvir música são boas atividades para aproveitar o fim do tempo de gestação.
Fonte: http://www.mae.iol.pt/artigo.php?id=1070113&div_id=2627
Frutos colhidos sobre a Conferência de Brasília
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/revista/2010/12/03/interna_revista_correio,226011/planeje-seu-parto-e-informe-se.shtml
Publicado no Correio Brasiliense
Planeje seu parto e informe-se!
Publicação: 03/12/2010 12:16 Atualização: 03/12/2010 20:03
Publicado no Correio Brasiliense
Planeje seu parto e informe-se!
Publicação: 03/12/2010 12:16 Atualização: 03/12/2010 20:03
Planejando cada etapa
Toda gestante pode ter um plano de parto, que é uma lista de desejos por escrito. No caso de um parto sem complicações, é perfeitamente possível que a equipe médica siga seu plano, que pode ser feito com o obstetra e deve ser levado, impresso, no dia do parto. “Os casais brasileiros estão percebendo cada vez mais que os médicos e profissionais da saúde bem-intencionados nem sempre têm respaldo científico que sustentem as práticas obstétricas comuns e que muitas dessas práticas são adotadas simplesmente por serem parte de uma tradição médico-hospitalarâ€, afirma Ana Cris Duarte, do site Amigas do Parto. “O pai ou mesmo a mãe pode ter uma conversa prévia com o neonatologista, com o anestesista, com os enfermeiros. Explicar suas preferências. Mostrar o plano de parto para eles e combinar a possibilidade dele ser respeitadoâ€, recomenda a psicóloga e doula Clarissa Khan. É indicado que seu plano de parto tenha indicações tanto para um trabalho de parto normal, quanto para uma cesariana.
O que pode constar em um plano de parto:
- O local onde você deseja parir: em casa, na casa de parto, no hospital?
- Quem serão seus acompanhantes.
- Desejos como liberdade de caminhar, uso da água no trabalho de parto, liberdade para ingestão de alimentos e bebidas, aparelho de som ligado no momento do parto, luz baixa.
- Infusão intravenosa apenas se houver indicação médica.
- Rompimento espontâneo da bolsa d’água.
- Clampeamento do cordão umbilical apenas depois que ele parar de pulsar, com o corte feito pelo pai.
- Bebê colocado imediatamente no colo da mãe (ou sobre a barriga ou nos seus braços).
- Bebê amamentado assim que possível.
-Tirar fotografias ou filmar o parto.
Pesquise, informe-se e decida!
Conheça importantes pesquisas que fortalecem a corrente do parto humanizado:
- A questão do clampeamento do cordão umbilical
O cordão umbilical é um elo entre mãe e filho de vital importância. É por ele que a placenta faz a troca gasosa com o feto e envia os nutrientes necessários para seu desenvolvimento. Quando a criança nasce, o cordão umbilical, ainda ligado à placenta, continua enviando sangue oxigenado. Dando tempo para que os pulmões do bebê se adaptem às novas condições e realize os movimentos de inspiração e expiração sem pressa. De forma gradativa. Enquanto o cordão umbilical pulsa, ele ainda está fazendo a troca. Levando em consideração estudos que apontavam que o corte tardio do cordão umbilical, e não imediato, reduzia o risco de anemia em crianças (por aumentar a concentração de hemoglobina e ferro no sangue), a pesquisadora e pediatra Sônia Venâncio pesquisou, no ano de 2006, as consequências do corte imediato do cordão umbilical, praticado em grande parte dos partos e apoiado nos seguintes argumentos: ele preveniria a icterícia, a policitemia e a anemia materna.
Sônia analisou 109 casos de cortes imediatos e 115 casos de cortes tardios, investigando a relação do clampeamento do cordão umbilical com a diminuição dos estoques de ferro em bebês com até 6 meses de vida. Os resultados encontrados confirmaram os benefícios do corte tardio por, de fato, aumentar o estoque de ferro. E, desmitificando a antiga crença, não foram verificadas no estudo maior frequência de icterícia, policitemia ou complicações maternas decorrentes do clampeamento tardio do cordão umbilical. “Deve-se permite que a função pulmonar se estabeleça gradualmente. Para que o bebê possa expelir as secreções com tranquilidade e respirar de maneira mais fisiológicaâ€, adverte o obstetra Thomas Gollop.
- Ultrassonografias
Um estudo da pesquisadora Maria do Carmo Leal apontou que muitos filhos de cesarianas eletivas (pré-marcadas) nascem antes do tempo ideal. O motivo seria o fato das ultrassonografias terem uma margem de erro que nem sempre é considerada. Muitas crianças acabam nascendo imaturas, com 35 a 36 semanas (pré termo tardias), quando os médicos achavam que ela tinha 38 semanas. “O bebê nasce com desconforto respiratório, angústia e, em vez de amadurecer no ventre materno, acaba indo para uma máquina incubadora. E ninguém explica para a mãe, que fica angustiada, o que realmente desencadeou a internação do recém-nascido. Isso é um problema sério. A natureza tem sua sabedoria. O trabalho de parto indica a maturidade da criança, inicia na hora certaâ€, alerta a médica Daphne Rattner.
Fique atento
No documento divulgado pela Organização Mundial de saúde, algumas práticas comuns na condução do parto normal são classificadas, com base em evidências científicas e em debates de profissionais. Separamos as mais populares:
1. Uso rotineiro de enema (lavagem intestinal):
O que diz a OMS: os enemas supostamente estimulam as contrações uterinas e o intestino vazio facilitaria a descida da cabeça do bebê pelo canal vaginal. Também evitaria contaminação. Entretanto, essa é uma prática incômoda que apresenta risco de lesão intestinal.
O que dizem os estudos: dois estudos (Rommey e Gordon, 1981, e Drayton e Rees, 1984) não detectaram efeitos sobre a duração do trabalho de parto ou sobre infecção neonatal ou infecção da incisão de episiotomia.
2. Uso rotineiro de tricotomia (raspagem dos pelos pubianos)
O que diz a OMS: a tricotomia é considerada desnecessária e somente deve ser realizada a pedido da mulher.
O que dizem os estudos: são de 1922 (Johnston e Sidall) e 1965 (Kantor) os estudos que derrubam a tese de que a tricotomia reduziria riscos de infecção e facilitaria a sutura. O uso rotineiro, pode, inclusive aumentar o risco de infecção pelos vírus HIV e da hepatite, tanto para o parteiro quanto para a parturiente.
3. Infusão intravenosa e suspensão da ingestão de líquidos e sólidos
O que diz a OMS: as opiniões sobre a necessidade de nutrição intravenosa durante o parto variam amplamente em todo o mundo. O trabalho de parto requer enorme quantidade de energia. Como não se pode prever sua duração, é preciso repor essas fontes de energia. A restrição severa da ingestão oral de alimentos pode levar à desidratação.
O que dizem os estudos: essa necessidade de energia é normalmente compensada por uma infusão intravenosa de glicose. Estudos que datam de 1980, 1981 e 1982 apontaram que o aumento da glicose acompanhava um aumento nos níveis maternos de insulina, o que pode levar a uma série de complicações, que podem ser evitadas com a simples oferta de líquidos e alimentos leves para a gestante ingerir.
4. Recomendação de que a gestante fique deitada
O que diz a OMS: ficar deitada durante o primeiro estágio do trabalho de parto afeta o fluxo sanguíneo uterino, podendo comprometer o estado fetal.
O que dizem os estudos: para publicações como Ambulation in labour e Upright posture and the efficiency of labor, a posição supina (deitada com a barriga para cima) também reduz a intensidade das contrações, interferindo no progresso do trabalho de parto. Ficar de pé está associado a uma maior intensidade e maior eficiência das contrações.
5. Administração de ociócitos e ruptura mecânica da bolsa d’água
O que diz a OMS: esse é um método de prevenção do trabalho de parto prolongado. Muitas vezes, essas ações são iniciadas de forma tão precoce, mesmo não apresentando nenhum motivo válido para tal.
O que dizem os estudos: um estudo controlado (O’Driscoll, 1973) verificou aumento considerável de desacelerações de batimentos cardíacos fetais após a ruptura precoce da bolsa. Quanto à infusão de ocitocina, não existem benefícios comprovados de seu uso. Sua infusão inibe a produção natural da ocitocina e pode deixar o trabalho de parto ainda mais doloroso.
6. Controle da dor por analgesia peridural
O que dia a OMS: a peridural fornece um alívio melhor e mais duradouro da dor que muitos outros métodos. Mas exige condições importantes: o trabalho de parto deve ocorrer em um hospital bem equipado e sobre a constante supervisão de um anestesista. Porém, com seu uso, há uma tendência para que o primeiro estágio do trabalho de parto seja mais longo.
O que dizem os estudos: um estudo americano recente apontou que o número de cesarianas aumentou quando a analgesia peridural foi usada durante o trabalho de parto.
7. Uso liberado da episiotomia
O que diz a OMS: a episiotomia é um corte cirúrgico feito na região do períneo. Ele visa facilitar ou acelerar a saída do bebê e evitar uma laceração de terceiro grau. Porém, uma vez que a incidência de laceração de segundo grau é de cerca de 0,4%, o diagnóstico perde seu significado. Não existem evidências de que seu uso rotineiro seja benéfico.
O que dizem os estudos: o uso liberal da episiotomia está associado a maiores taxas de traumatismo ao períneo. Com ou sem o uso do método, mulheres tiveram um grau comparável de dor perineal avaliada aos 10 dias e 3 meses após o parto.
Toda gestante pode ter um plano de parto, que é uma lista de desejos por escrito. No caso de um parto sem complicações, é perfeitamente possível que a equipe médica siga seu plano, que pode ser feito com o obstetra e deve ser levado, impresso, no dia do parto. “Os casais brasileiros estão percebendo cada vez mais que os médicos e profissionais da saúde bem-intencionados nem sempre têm respaldo científico que sustentem as práticas obstétricas comuns e que muitas dessas práticas são adotadas simplesmente por serem parte de uma tradição médico-hospitalarâ€, afirma Ana Cris Duarte, do site Amigas do Parto. “O pai ou mesmo a mãe pode ter uma conversa prévia com o neonatologista, com o anestesista, com os enfermeiros. Explicar suas preferências. Mostrar o plano de parto para eles e combinar a possibilidade dele ser respeitadoâ€, recomenda a psicóloga e doula Clarissa Khan. É indicado que seu plano de parto tenha indicações tanto para um trabalho de parto normal, quanto para uma cesariana.
O que pode constar em um plano de parto:
- O local onde você deseja parir: em casa, na casa de parto, no hospital?
- Quem serão seus acompanhantes.
- Desejos como liberdade de caminhar, uso da água no trabalho de parto, liberdade para ingestão de alimentos e bebidas, aparelho de som ligado no momento do parto, luz baixa.
- Infusão intravenosa apenas se houver indicação médica.
- Rompimento espontâneo da bolsa d’água.
- Clampeamento do cordão umbilical apenas depois que ele parar de pulsar, com o corte feito pelo pai.
- Bebê colocado imediatamente no colo da mãe (ou sobre a barriga ou nos seus braços).
- Bebê amamentado assim que possível.
-Tirar fotografias ou filmar o parto.
Pesquise, informe-se e decida!
Conheça importantes pesquisas que fortalecem a corrente do parto humanizado:
- A questão do clampeamento do cordão umbilical
O cordão umbilical é um elo entre mãe e filho de vital importância. É por ele que a placenta faz a troca gasosa com o feto e envia os nutrientes necessários para seu desenvolvimento. Quando a criança nasce, o cordão umbilical, ainda ligado à placenta, continua enviando sangue oxigenado. Dando tempo para que os pulmões do bebê se adaptem às novas condições e realize os movimentos de inspiração e expiração sem pressa. De forma gradativa. Enquanto o cordão umbilical pulsa, ele ainda está fazendo a troca. Levando em consideração estudos que apontavam que o corte tardio do cordão umbilical, e não imediato, reduzia o risco de anemia em crianças (por aumentar a concentração de hemoglobina e ferro no sangue), a pesquisadora e pediatra Sônia Venâncio pesquisou, no ano de 2006, as consequências do corte imediato do cordão umbilical, praticado em grande parte dos partos e apoiado nos seguintes argumentos: ele preveniria a icterícia, a policitemia e a anemia materna.
Sônia analisou 109 casos de cortes imediatos e 115 casos de cortes tardios, investigando a relação do clampeamento do cordão umbilical com a diminuição dos estoques de ferro em bebês com até 6 meses de vida. Os resultados encontrados confirmaram os benefícios do corte tardio por, de fato, aumentar o estoque de ferro. E, desmitificando a antiga crença, não foram verificadas no estudo maior frequência de icterícia, policitemia ou complicações maternas decorrentes do clampeamento tardio do cordão umbilical. “Deve-se permite que a função pulmonar se estabeleça gradualmente. Para que o bebê possa expelir as secreções com tranquilidade e respirar de maneira mais fisiológicaâ€, adverte o obstetra Thomas Gollop.
- Ultrassonografias
Um estudo da pesquisadora Maria do Carmo Leal apontou que muitos filhos de cesarianas eletivas (pré-marcadas) nascem antes do tempo ideal. O motivo seria o fato das ultrassonografias terem uma margem de erro que nem sempre é considerada. Muitas crianças acabam nascendo imaturas, com 35 a 36 semanas (pré termo tardias), quando os médicos achavam que ela tinha 38 semanas. “O bebê nasce com desconforto respiratório, angústia e, em vez de amadurecer no ventre materno, acaba indo para uma máquina incubadora. E ninguém explica para a mãe, que fica angustiada, o que realmente desencadeou a internação do recém-nascido. Isso é um problema sério. A natureza tem sua sabedoria. O trabalho de parto indica a maturidade da criança, inicia na hora certaâ€, alerta a médica Daphne Rattner.
Fique atento
No documento divulgado pela Organização Mundial de saúde, algumas práticas comuns na condução do parto normal são classificadas, com base em evidências científicas e em debates de profissionais. Separamos as mais populares:
1. Uso rotineiro de enema (lavagem intestinal):
O que diz a OMS: os enemas supostamente estimulam as contrações uterinas e o intestino vazio facilitaria a descida da cabeça do bebê pelo canal vaginal. Também evitaria contaminação. Entretanto, essa é uma prática incômoda que apresenta risco de lesão intestinal.
O que dizem os estudos: dois estudos (Rommey e Gordon, 1981, e Drayton e Rees, 1984) não detectaram efeitos sobre a duração do trabalho de parto ou sobre infecção neonatal ou infecção da incisão de episiotomia.
2. Uso rotineiro de tricotomia (raspagem dos pelos pubianos)
O que diz a OMS: a tricotomia é considerada desnecessária e somente deve ser realizada a pedido da mulher.
O que dizem os estudos: são de 1922 (Johnston e Sidall) e 1965 (Kantor) os estudos que derrubam a tese de que a tricotomia reduziria riscos de infecção e facilitaria a sutura. O uso rotineiro, pode, inclusive aumentar o risco de infecção pelos vírus HIV e da hepatite, tanto para o parteiro quanto para a parturiente.
3. Infusão intravenosa e suspensão da ingestão de líquidos e sólidos
O que diz a OMS: as opiniões sobre a necessidade de nutrição intravenosa durante o parto variam amplamente em todo o mundo. O trabalho de parto requer enorme quantidade de energia. Como não se pode prever sua duração, é preciso repor essas fontes de energia. A restrição severa da ingestão oral de alimentos pode levar à desidratação.
O que dizem os estudos: essa necessidade de energia é normalmente compensada por uma infusão intravenosa de glicose. Estudos que datam de 1980, 1981 e 1982 apontaram que o aumento da glicose acompanhava um aumento nos níveis maternos de insulina, o que pode levar a uma série de complicações, que podem ser evitadas com a simples oferta de líquidos e alimentos leves para a gestante ingerir.
4. Recomendação de que a gestante fique deitada
O que diz a OMS: ficar deitada durante o primeiro estágio do trabalho de parto afeta o fluxo sanguíneo uterino, podendo comprometer o estado fetal.
O que dizem os estudos: para publicações como Ambulation in labour e Upright posture and the efficiency of labor, a posição supina (deitada com a barriga para cima) também reduz a intensidade das contrações, interferindo no progresso do trabalho de parto. Ficar de pé está associado a uma maior intensidade e maior eficiência das contrações.
5. Administração de ociócitos e ruptura mecânica da bolsa d’água
O que diz a OMS: esse é um método de prevenção do trabalho de parto prolongado. Muitas vezes, essas ações são iniciadas de forma tão precoce, mesmo não apresentando nenhum motivo válido para tal.
O que dizem os estudos: um estudo controlado (O’Driscoll, 1973) verificou aumento considerável de desacelerações de batimentos cardíacos fetais após a ruptura precoce da bolsa. Quanto à infusão de ocitocina, não existem benefícios comprovados de seu uso. Sua infusão inibe a produção natural da ocitocina e pode deixar o trabalho de parto ainda mais doloroso.
6. Controle da dor por analgesia peridural
O que dia a OMS: a peridural fornece um alívio melhor e mais duradouro da dor que muitos outros métodos. Mas exige condições importantes: o trabalho de parto deve ocorrer em um hospital bem equipado e sobre a constante supervisão de um anestesista. Porém, com seu uso, há uma tendência para que o primeiro estágio do trabalho de parto seja mais longo.
O que dizem os estudos: um estudo americano recente apontou que o número de cesarianas aumentou quando a analgesia peridural foi usada durante o trabalho de parto.
7. Uso liberado da episiotomia
O que diz a OMS: a episiotomia é um corte cirúrgico feito na região do períneo. Ele visa facilitar ou acelerar a saída do bebê e evitar uma laceração de terceiro grau. Porém, uma vez que a incidência de laceração de segundo grau é de cerca de 0,4%, o diagnóstico perde seu significado. Não existem evidências de que seu uso rotineiro seja benéfico.
O que dizem os estudos: o uso liberal da episiotomia está associado a maiores taxas de traumatismo ao períneo. Com ou sem o uso do método, mulheres tiveram um grau comparável de dor perineal avaliada aos 10 dias e 3 meses após o parto.
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